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sábado, fevereiro 19, 2005

Vou votar ao contrário

É verdade. Comprei o Expresso de novo (um velho vício que hei-de vencer). Voltei a ficar enojado.
A vitória anunciada do PS, engenheirada pelo Presidente Sampaio, é servida por uma alcateia obediente e servil.

Uns exemplos.

Daniel Oliveira: "Ninguém no seu perfeito juízo perde tempo a falar sobre Santana".

Curtas: "Sampaio apela à mudança [...] As palavras de Sampaio foram entendidas como um apelo ao voto na mudança política".

J. A. Lima: "...foi tal a «overdose» de irresponsabilidade política e de imaturidade governativa, é tal a desilusão e rejeição que se apossou de grande parte do eleitorado habitual dos sociais-democratas, são de tal forma confluentes e concludentes os resultados de todas as sondagens que se pode antever uma derrota histórica do PSD. [...] O mito eleitoral de Santana Lopes vai desabar na noite de domingo. Por uma simples razão: pela primeira vez, os portugueses conhecem-no bem antes de irem a votos".

Nos Altos & Baixos, lá vem D. Januário (que tem direito a peça laudatória à parte) nos Altos e Durão Barroso nos Baixos. Tudo porque o primeiro atacou Santana enquanto o segundo o apoiou.

A notícia do Independente que indicia comportamento corrupto da parte de Sócrates não tem eco... porquê? Não é importante esclarecer essas coisas sobre o próximo primeiro ministro? O jornal produz evidência, valendo-se de texto da Polícia Judiciária (PJ). Vital Moreira chama-lhe "documento forjado", embora se trate de fotocópia que a PJ diz ser verdadeira!

Vi o último Diga lá Excelência, onde PSL foi entrevistado por dois jornalistas (profissionais!). Nunca a conversa subiu do nível dos "episódios". Nunca a substância da acção governativa foi posta em questão. Mas, então, será que PSL governou bem? Não há pontos fracos, actos executivos menos bem sucedidos? Teve de ser PSL a adiantar alguns, como a colocação de professores. É espantoso que dois jornalistas profissionais não passem de críticas de "episódios".
É que quando se tem as costas quentes, por ser politicamente correcto e apoiado de cima, pode atacar-se PSL e o seu governo de qualquer maneira. Esta é uma das tristes consequências da decisão de Sampaio. A mais grave é, creio, ter contribuído de forma indelével para o aumento da ingovernabilidade do país, ao desvalorizar uma maioria coesa na AR.

Por falar em "episódios", há quem se lembre de uns outros.

Esta campanha contra o governo/PSL que, como já disse, foi iniciada pelo folhetim de Sampaio (a morte da Engenheira Pintasilgo foi baixa colateral, dizem), e atraiu para a matança muitos "corajosos".

É verdade, choca-me este caracter de querer estar com os fortes, com os vencedores, mesmo que para tal se tenha de agredir os que estão em dificuldade, não interessa como.

O partido em que mais vezes votei foi o PS, desde o 25 de Abril de 1974. Agora, tanta canalhice leva-me a outra opção. Vou votar ao contrário.

Claro que PS vai ganhar. Mas não com o meu voto. Entre os vencedores contam-se, desgraçadamente, Saleiro e Paulo Pedroso. Não quero citar mais nomes, mas recordo outras edições do Expresso.

21 de Junho de 2003: "O DIRECTOR da Judiciária, Adelino Salvado, afirma que a morte do autarca carbonizado em Almodôvar «tresanda» a crime, mas confessa a impotência da polícia para avançar nas investigações. «Apesar de isto tresandar a inexistência de acidente, podemos estar perante um caso insolúvel», diz Salvado ao EXPRESSO".

24 de Dezembro de 2004: "No seu depoimento, Silvino fez ainda questão de «lembrar» ao tribunal o nome do socialista Paulo Pedroso como tendo estado com rapazes da Casa Pia"

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